Câmara de São Sebastião decide nesta terça (16) futuro das contas de 2022 da gestão Felipe Augusto

Parecer do Tribunal de Contas recomenda rejeição após apontamentos em áreas como educação, saúde e gestão financeira

A Câmara Municipal de São Sebastião vota na próxima terça-feira (16) um dos temas mais relevantes do cenário político local neste ano: a aprovação ou rejeição das contas da Prefeitura referentes ao exercício de 2022, período administrado pelo ex-prefeito Felipe Augusto.

A análise será feita com base no parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que recomendou a rejeição das contas após identificar uma série de falhas administrativas e irregularidades na gestão municipal.

O parecer foi inicialmente aprovado pela Segunda Câmara do órgão fiscalizador e posteriormente mantido pelo Tribunal Pleno, mesmo após pedido de reexame apresentado pela defesa do ex-prefeito.

Tribunal apontou falhas em setores estratégicos

Entre os principais apontamentos do TCE-SP estão problemas na área da educação, incluindo a elevada contratação de professores temporários, ausência de plano de carreira para o magistério, déficit de vagas em creches e falta de ensino em período integral.

Na saúde, o órgão fiscalizador registrou ausência de plano de carreira para profissionais da área, deficiência no controle de frequência dos servidores, falta de equipamentos em unidades de atendimento e dificuldades no abastecimento de medicamentos.

Também foram destacadas insuficiências na oferta de vagas em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e a inexistência de serviços de telemedicina durante o período analisado.

Situação financeira também pesou na decisão

Outro fator considerado relevante pelo Tribunal de Contas foi o resultado financeiro negativo de R$ 37,8 milhões registrado ao final do exercício.

Os conselheiros também avaliaram como excessivas as alterações promovidas no orçamento municipal ao longo do ano, equivalentes a quase 95% da despesa inicialmente prevista.

Além disso, foram mencionadas falhas na execução de despesas com publicidade institucional e na comprovação da aplicação de recursos oriundos de emendas parlamentares.

Viagens sem comprovação documental

O parecer também manteve ressalvas relacionadas a processos de adiantamento destinados a viagens e hospedagens de agentes públicos.

Segundo o tribunal, foram identificados 12 processos que somaram R$ 152,7 mil sem a apresentação de relatórios de viagem ou documentos que comprovassem a efetiva participação dos beneficiários em eventos oficiais.

Vereadores terão a palavra final

Embora o parecer do TCE-SP tenha peso técnico e jurídico, a decisão definitiva sobre a aprovação ou rejeição das contas cabe ao Poder Legislativo municipal.

A votação deverá mobilizar atenção da classe política e da população, já que o resultado poderá gerar reflexos futuros na situação eleitoral do ex-prefeito, conforme previsto na legislação vigente e sujeito à análise dos órgãos competentes.

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