SERJÃO ESCLARECE SOBRE BLOQUEIO JUDICIAL E DÁ NOME AOS BOIS

Decisão do STF coloca município diante de um desafio: preservar a transparência, garantir serviços e separar responsabilidade administrativa de investigações sobre a origem dos recursos

A crise envolvendo a rastreabilidade das emendas parlamentares chegou aos municípios. Uma decisão do STF – Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão da movimentação financeira de recursos vinculados a emendas sob investigação, atingindo também valores destinados a Caraguatatuba.

O bloqueio comunicado pelo Fundo Nacional de Saúde de R$ 9 milhões – alcança recursos transferidos pela União na modalidade fundo a fundo, vinculados a propostas específicas, até o limite de R$ 23 milhões.

É importante estabelecer uma distinção fundamental: o documento judicial analisado não aponta acusação contra a Prefeitura de Caraguatatuba ou contra seus gestores. A medida cautelar decorre de uma investigação sobre a origem, o direcionamento e a rastreabilidade de determinadas emendas parlamentares.

Na prática, porém, o impacto chega ao município.

Esse é o ponto mais sensível do episódio: quando falhas de governança surgem na estrutura central de distribuição de recursos públicos, as consequências alcançam a ponta, onde Prefeitos e gestores precisam executar políticas públicas, manter serviços e responder à população.

Há pouco, pela manhã, o vice-prefeito da cidade,Sérgio Arnaldo Braz, o “Serjão”, que responde pela Secretaria de Saúde do Município, participou do programa Repórter Online Litoral para esclarecer sobre o caso. Disse que se refere ao ano de 2024, nominando o ex-prefeito Aguilar Junior • Caraguatatuba-SP como responsável pelo Governo à época.

Falou sobre haver uma investigação sobre como essas emendas foram utilizadas pelo Município.

O político e gestor da pasta enfatizou que os recursos, na ordem de R$ 9 milhões, bloqueados agora pela Justiça não correspondem ao dinheiro a que se refere a investigação. “Entre junho e dezembro de 2024 foi utilizado todo esse dinheiro“, disse – se referindo ao montante das emendas. Acusou ainda os riscos de que se colocar mais dinheiro no Fundo Municipal de Saúde “podem ser bloqueados” novamente.

Falando sobre os prejuízos à cidade, disse que essa medida judicial afeta desde serviços de alta e média complexidade até pagamentos de agentes comunitários. Falou que a Secretaria está há quatro dias com o financeiro parado, em razão disso. O custo da Saúde de Caraguá é de R4 25 a R$ 30 milhões mensais, disse. E enfatizou que o setor jurídico da Prefeitura está recorrendo para desbloquear esses recursos.

Fernando Cuiú, ex-vereador na Câmara Municipal de Caraguatatuba e atual comentarista do programa online, levantou questionamento sobre o fato de que a Saúde do Município estava “colapsando” na época, e mostrou surpresa com a informação da entrada desse dinheiro em 2024.

Serjão disse que hoje ninguém mais “leva dinheiro no bolso” e que ‘deixa rastro’, assegurando que isso está sendo levantado, rastreado.

O Secretário falou também que sua equipe já está conversando com os prestadores de serviço para tentar controlar essa situação de momento. Explicou ainda que os caminhos jurídicos miram o desbloqueio porque está afetando serviços essenciais. “Tudo na Saúde é emergencial, não espera”, cravou.

A decisão do STF tem uma finalidade legítima: proteger o interesse público, impedir eventual continuidade de irregularidades e assegurar que recursos federais sejam aplicados dentro dos princípios da transparência e da legalidade.

Assessores levantam a possibilidade de uma entrevista coletiva do Prefeito Mateus Veneziani da Silva nos próximos dias, já que a população espera ouvir de seu governante um posicionamento público a respeito de uma série de coisas que tem acontecido na cidade e tem afetado o planejamento da Administração Municipal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *